LixoZERO, o novo normal!

A geração de resíduos sempre foi uma característica da atividade metabólica de todos os seres vivos. Nos seus processos metabólicos eles consomem recursos para a obtenção de elementos e energia para a manutenção de suas estruturas biológicas. Estes mesmos processos metabólicos descartam os matérias sem uso ou valor para esses processos. Porem nos ecossistemas naturais os resíduos de um processo passa a ser matéria prima de outro processo, permitindo a circulação de dos elementos e energia dentro dos redes tróficas.

Sustentabilidade: Desafiando paradigmas para um novo mundo

joel open house 2013-12“Rodrigo tinha notado que sua esposa, Natália, cada vez que assava um peru cortava a pata direita do mesmo antes de colocar a forma no forno. Rodrigo viu este procedimento ser realizado várias vezes pela esposa sem conseguir descobrir o motivo, então decidiu perguntar-lhe:

– Nati, percebi que cada vez que prepara um peru, antes de colocá-lo no forno, você corta a perna direita do mesmo. Tentei descobrir por que você faz isso, porem não consigo imaginar o motivo – disse Rodrigo amorosamente.

– Ahhh… simples, amor – disse Natalia pronta para explicar o segredo – cortar a pata direita do peru antes de coloca-lo no forno é forma correta de se assar um peru. Se eu deixar a pata direita, o peru não ficará corretamente assado – ela falou com ar de grandeza.

– Não faz o mínimo sentido isso Natália – afirmou Rodrigo confuso.

O lixo, seus dramas, caminhos possíveis

residuos-siderurgicos-15WASHINGTON NOVAES *
Deveria ser de leitura obrigatória para administradores públicos e legisladores em todos os níveis – começando por governo federal, Congresso, governos estaduais, deputados, prefeitos, vereadores -, mas também para empresários e consumidores, o texto Gestão de resíduos sólidos para uma sociedade mais próspera, escrito pelo professor Ricardo Abramovay, do Departamento de Economia, e das pesquisadoras Juliana S. Speranza e Cécile Petitgand, do Núcleo de Economia Socioambiental, todos da Universidade de São Paulo (USP). Dificilmente se encontrará texto mais abrangente sobre a questão dos resíduos e as políticas adequadas que devem norteá-la, mais rico em informações, capaz de levar a mudanças indispensáveis.

Compostagem de Resíduos Sólidos Orgânicos no Brasil

A compostagem é uma alternativa de valorização de resíduos com técnicas ancestrais ainda presente hoje nas usinas modernas. Ela, imita os processos complexos de reciclagem da matéria dos ecossistemas naturais, porem em condições controladas para poder acelerar os resultados e atender as necessidades dos seres humanos.

Mediante um processo otimizado e customizado às necessidades de cada gerados (seja de resíduos sólidos industrias ou urbanos) a compostagem transforma todos os resíduos orgânicos em adubo apto para o uso na agricultura, e atender a demanda de fertilizantes do Brasil, com uma importação de mais do 60% dos nutrientes requeridos nas culturas de todo o pais. Este adubo, alem de oferecer NPK, oferece outros nutrientes de grande valor para as plantas e microrganismos necessários para a estrutura do solo e sua fertilidade ao longo do tempo, dando sustentabilidade a atividade agrícola-florestal.

A área demandada pelas unidades de compostagem variam conforme o tipo de resíduos e o processo a ser implantado, porem em media para 10.000 ton/mês de resíduo são necessários entre 15.000 m³ a 20.000 m³. Exitem atualmente diversas tecnologias de compostagem, que otimizam tempo de processo, eliminam a geração de passivos, aumentam a qualidade do produto final e minimizam os custos de investimento inicial.

A compostagem como alternativa de valorização de resíduos orgânicos está mencionada na Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010)  assim como no Plano de Gestão de Resíduos Sólidos do Ministério de Médio Ambiente do Brasil (atualmente em consulta pública), entre outros documentos e legislações de diferentes setores do governo, no médio acadêmico e do terceiro setor.

A modo de resumo apresento o Infograma de Compostagem de Resíduos Sólidos Orgânicos, para ilustração do possível cenário a ser desenvolvido no Brasil para valorização de mais de 80% dos RSU gerados por todos nós.

Faça click na imagem para amplia-la.

Infograma compostagem resíduos gerais PNRS web

Marcos Alejandro Badra

Uma Declaração Evangélica sobre o Cuidado com a Criação

A um tempo que quero publicar este documento, onde acho que têm conceitos muito importantes e interessantes para uma abordagem integrada dos assuntos ambientais, desde um enquadre integral (espiritual, psíquico e cientifico em perfeita harmonia). A declaração posiciona ao homem na sua real perspectiva em sua relação com o meio ambiente (seja os sistemas ecológicos ou sistemas antrópicos) e ressalta sua responsabilidade frente aos problemas que enfrentamos localmente e globalmente como consequência de nosso estilo de vida.   Será de muito proveito ler ele completo.

Marcos Alejandro Badra

Aliança Evangélica Europeia, Sobre o Cuidado Com a Criação

Uma Declaração Evangélica sobre o Cuidado com a Criação
A terra é do Senhor, e toda a sua plenitude – Salmo 24:1

Como seguidores de Jesus Cristo, comprometidos com a total autoridade das Escrituras, e conscientes das formas como degradamos a criação, cremos que a fé bíblica é essencial para a solução dos nossos problemas ecológicos.

Porque adoramos e honramos o Criador, buscamos manter e cuidar da criação.

Porque pecámos, falhámos na nossa mordomia pela criação. Por isso arrependemo-nos da forma como poluímos, distorcemos ou destruímos grande parte da obra do Criador.

Porque em Cristo, Deus curou a nossa alienação de Deus e estendeu a nós as primícias da reconciliação com todas as coisas, empenhamo-nos a trabalhar no poder do Espírito Santo para partilharmos as Boas Novas de Cristo em palavras e em ações, movendo-nos para reconciliar todas as pessoas em Cristo e estender a cura de Cristo à criação que sofre.

Porque aguardamos o tempo em que a criação que geme será restaurada à sua plenitude, empenhamo-nos em trabalhar vigorosamente para proteger e curar essa criação para a honra e glória do Criador – que conhecemos vagamente através da criação, mas encontramos plenamente nas Escrituras e através de Cristo. Nós e os nossos filhos enfrentamos uma crise crescente na saúde da criação da qual fazemos parte, e pela qual, pela graça de Deus, somos sustentados. No entanto, continuamos a degradar essa criação.
Estas degradações da criação podem ser resumidas como 1) degradação do solo; 2) desflorestação; 3) extinção das espécies; 4) degradação da qualidade da água; 5) toxicidade global; 6) alteração da atmosfera; 7) degradação humana e cultural.

Muitas destas degradações são sinais de que estamos a colocar pressão sobre os finos limites que Deus estabeleceu para a criação. Com o contínuo crescimento da população, estas degradações tornar-se-ão mais graves. A nossa responsabilidade não se limita a cuidar e alimentar as crianças, mas nutrir e cuidar do seu lar nesta terra. Respeitamos a instituição do casamento da forma como Deus no-la transmitiu, para assegurar de forma bem pensada que há descendência e que esta é bem cuidada, para a glória de Deus.

Reconhecemos que a pobreza humana é tanto uma causa como uma consequência da degradação ambiental.

Muitas pessoas interessadas, convencidas de que os problema ambientais são mais espirituais do que tecnológicos, estão a explorar as ideologias e religiões humanas em busca de recursos espirituais não Cristãos para a cura da terra. Como seguidores de Jesus Cristo, cremos que a Bíblia nos leva a responder de quatro formas:

Primeira – Deus chamou-nos para que confessássemos e nos arrependêssemos das nossas atitudes que desvalorizam a criação, e que torcem ou ignoram a revelação bíblica para apoiar o mau uso que fazemos dela. Esquecendo que “a terra é do Senhor”, temos frequentemente usado a criação sem nos lembrarmos da nossa responsabilidade pelo seu cuidado.

Segunda – As nossas acções e atitudes para com a terra têm de vir do centro da nossa fé, e estar enraizadas na plenitude da revelação de Deus em Cristo e nas Escrituras. Resistimos a ideologias que: a) presumem que o Evangelho nada tem a ver com o cuidado com as criaturas que não são humanas e b) ideologias que reduziriam o Evangelho a nada mais que cuidado com a criação.

Terceira – Procuramos diligentemente aprender tudo quanto a Bíblia nos diz acerca do Criador, criação e tarefa humana. Na nossa vida e nas nossas palavras declaramos que as Boas Novas são para toda a criação que ainda espera “a manifestação dos filhos de Deus” (Romanos 8:19).

Quarta – Procuramos entender o que a criação revela acerca de divindade de Deus, Sua presença sustentadora, e poder eterno, e o que a criação nos ensina sobre a ordem apontada por Deus e os princípios segundo os quais se rege.

Por esta razão pedimos a todos aqueles que estão comprometidos com a verdade do Evangelho de Jesus Cristo para afirmarem os princípios da fé bíblica que se seguem, e a buscarem formas de viver estes princípios nas nossas vidas pessoais, nas nossas igrejas e na sociedade.

O cosmos, em toda a sua beleza, liberdade, e dádiva de vida, é a obra do nosso Criador pessoal e amoroso.

O nosso Deus Criador é anterior à Criação e posterior a ela, no entanto intimamente envolvido com ela, sustentando cada coisa na sua liberdade, e todas as coisas em relacionamentos de intrínseca complexidade. Deus é transcendente, e ao mesmo tempo sustentador amoroso de cada criatura; imanente, no entanto, completamente distinto da criação, não devendo ser confundido com ela.

Deus o Criador é relacional na Sua natureza, revelado como três Pessoas em Uma. Da mesma forma, a criação imaginada por Deus é uma sinfonia de criaturas individuais num relacionamento harmonioso.

A preocupação do Criador prende-se a todas as criaturas. Deus declara que toda a criação é “boa” (Génesis 1:31); promete cuidado numa aliança com toda as criaturas (Génesis 9:9-17); tem prazer nas criaturas que não têm utilidade aparente para o homem (Job 39-41); e deseja, em Cristo “reconciliar todas as coisas para Si” (Colossenses 1:20).

Homens, mulheres e crianças têm uma responsabilidade única para com o Criador; ao mesmo tempo, somos criaturas, moldadas pelos mesmos processos e encastrados nos mesmos sistemas da física, da química, e interligações biológicas que sustém as outras criaturas.
Homens, mulheres e crianças, criados à imagem de Deus, têm também uma responsabilidade única para com a criação. As nossas ações devem sustentar a multiplicação da criação e também preservar o poderoso testemunho que a criação dá acerca do Criador.

Os nossos talentos, dados por Deus, foram frequentemente desviados do seu intento original: que conheçamos, nomeemos, cuidemos e tenhamos prazer nas criaturas de Deus; que cuidemos da civilização em amor, criatividade e obediência a Deus; e que ofereçamos a criação e a civilização em louvor ao Criador. Ignorámos os nossos limites de criatura e usámos a terra com ganância, e não com cuidado, como deveríamos ter feito.

O resultado carnal do pecado humano foi uma mordomia pervertida, uma manta de retalhos de jardim e lixeira em que o lixo vem a aumentar. “Não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus na terra… por isso, a terra se lamentará, e qualquer que morar nela desfalecerá” (Oséias 4:1-3). Sendo assim, uma das consequências do nosso mau uso da terra é uma injusta negação da dádiva de Deus aos seres humanos, tanto agora como no futuro.

O propósito de Deus em Cristo é curar e trazer à plenitude não apenas pessoas mas toda a ordem criada. “Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse. E que, havendo por ele feito a paz, pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus” (Colossenses 1:19-20).

Em Jesus Cristo, os crentes são perdoados, transformados e levados ao reino de Deus. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Coríntios 5:17). A presença do Reino de Deus é marcado não só pela renovada comunhão com Deus, mas também pela harmonia renovada e pela justiça entre as pessoas, e por uma renovada harmonia e justiça entre as pessoas e o resto do mundo criado. “Porque com alegria saireis, e em paz sereis guiados: os montes e os outeiros exclamarão de prazer, perante a vossa face, e todas as árvores do campo baterão as palmas” (Isaías 55:12).

Cremos que em Cristo há esperança, não apenas para os homens, mulheres e crianças, mas também para o resto da criação que sofre as consequências do pecado humano.

Portanto, apelamos a todos os cristãos que reafirmem que toda a criação pertence a Deus; que Deus a criou boa; e que Deus a renova em Cristo.

Encorajamos a que se faça uma maior reflexão sobre o ensino bíblico e teológico que fala da obra redentora de Deus em termos de renovação e complemento do Seu propósito para a criação.

Buscamos uma reflexão mais profunda sobre as maravilhas da criação de Deus e os princípios pelos quais a criação funciona. Apelamos também a uma consideração cuidadosa sobre como as nossas acções individuais e corporativas respeitam e obedecem às ordenanças de Deus para a criação.

Encorajamos os Cristãos a incorporar a extravagante criatividade de Deus nas suas vidas, fundamentando o papel da beleza e das artes nos seus padrões pessoais, eclesiásticos e sociais.

Apelamos aos Cristãos individuais e às igrejas para que sejam centros de renovação e cuidado para com a criação, deleitando-se na criação como dom de Deus e usufruindo dela como provisão de Deus, de formas que sustém e curam o tecido danificado da criação que Deus nos confiou.

Recordamos as palavras de Jesus de que as nossas vidas não consistem na abundância das nossas possessões, e portanto encorajamos os seguidores de Cristo a resistirem ao isco do desperdício e do hiper-consumismo, fazendo escolhas pessoais que expressem humildade, paciência, auto-controlo e frugalidade.

Apelamos a todos os Cristãos para que trabalhem no sentido de haver economias sustentáveis, justas e piedosas, que reflictam a economia soberana de Deus e capacitem homens, mulheres e crianças a prosperarem junto com toda a diversidade da criação. Reconhecemos que a pobreza força as pessoas a degradar a natureza de forma a poderem sobreviver; por isso apoiamos o desenvolvimento de uma economia justa e livre que capacita os pobres e cria abundância sem diminuir a dádiva da criação.

Comprometemo-nos a obter políticas sociais responsáveis que encorporem os princípios de mordomia da criação segundo a Bíblia.
Convidamos os cristãos – indivíduos, congregações e organizações – a juntarem-se a nós nesta declaração evangélica sobre o ambiente, tornando-nos pessoas de aliança num círculo cada vez mais vasto de cuidado bíblico com a criação.

Apelamos a todos os cristãos para que ouçam e trabalhem com todos aqueles que se preocupam com a cura da criação, com ensejo tanto de aprender com eles bem como de partilhar com eles a nossa convicção de que o Deus que todas as pessoas sentem presente na criação (Actos 17:27) é plenamente conhecido apenas através da Palavra encarnada em Cristo o Deus vivo, que fez e sustenta todas as coisas.

Fazemos esta declaração sabendo que até que Cristo volte para reconciliar todas as coisas, somos chamados a ser mordomos fiéis do bom jardim de Deus, o nosso lar terreno.

Para mais informações:
Rede Ambiental Evangélica
4485 Tench Road Suite 850; Suwanee, GA 300024
een@creationcare.org
Tradução: Olga de Bastos

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