Programa da Brastemp recicla 70% das embalagens de produtos

Empresas e consumidores, motivos pelo inicio de um novo enquadre na legislação sobre resíduos, estão desenvolvendo alternativas para a “gestão sustentável e inteligente” dos recursos e resíduos gerados. A Brastemp, uma empresa de referencia no mercado em qualidade de produtos e serviços, agora leva a iniciativa de criar ações de logística reversão, reciclagem e responsabilidade social.

Frente ao cenário global, regional e local dos problemas ambientais e os impactos diretos sobre comunidades, não podemos pensar mais em sistemas produtivos com grandes gerações de resíduos durante o ciclo de vida dos produtos. Os desafios para a industria no futuro imediato é poder criar produtos e serviços que diminuam os desperdícios e que possa recuperar os materiais dos descartados para a produção de novos, minimizando a necessidade e custo por matéria prima virgem.

Marcos Alejandro Badra

 

Programa da Brastemp recicla 70% das embalagens de produtos

SABRINA BEVILACQUA (Diarionet)

De olho na Política Nacional de Resíduos Sólidos, fabricantes de eletrodomésticos investem em programas para recolher e dar destinação correta às suas embalagens. Só no ano passado, o Brastemp Viva! recolheu 136 toneladas isopor, papelão e plástico que iriam para o lixo e doou para cooperativas de reciclagem. O volume representa 70% dos resíduos de embalagens de produtos vendidos diretamente pela empresa. Segundo o gerente-geral de Sustentabilidade da Whirlpool Latin America, Vanderlei Niehues, a meta deste ano é chegar a 80%.

A coleta desses materiais é feita no momento da entrega do produto. Motoristas e entregadores são treinados para incentivar o consumidor a devolver as embalagens quando recebe a compra. Eles ajudam a desembalar, checam se está tudo certo e já recolhem as embalagens.

Para Niehues, a receptividade dos consumidores ao projeto tem sido positiva, afinal a “consciência ambiental da população vem aumentando e ninguém gosta de ver embalagens jogadas por aí”. Prova disso é que o volume de materiais recolhidos cresceu 81% de 2010 para 2011. Ele afirma que o ideal seria recolher 100% das embalagens de produtos provenientes de vendas diretas. O problema é que e nem sempre o dono do novo aparelho está no local para recebê-lo. Às vezes é um funcionário, um amigo, o zelador do prédio, que não quer ou não tem autorização do proprietário para desembalar o produto.

A intenção agora é expandir o programa para as vendas feitas por varejistas. A Whirlpool tem fechado parcerias com revendedores treinando funcionários e entregadores das lojas para participar do processo. Niehues ressalta que o investimento financeiro para esse tipo de ação é relativamente baixo, o que facilita a implantação do projeto. A maior parte é para treinamento e conscientização ambiental da equipe de entrega. Em termos de estrutura, é necessário apenas um local para armazenamento. No caso da logística, é preciso transportar o material para a cooperativa (parte é feito pela empresa e parte pela cooperativa que recebe as embalagens).

Reciclagem: moda ou inteligencia?

A reciclagem não pode ser encarada como uma moda social, onde simplesmente nos sentimos bem com nós mesmos por participar de uma boa causa. Ela tem que ser encarada como uma forma inteligente de desenvolvimento social e produtivo. Esta prática, evita a pressão sobre os escassos recursos dos ecossistemas naturais, extraindo de forma os processos necessários para nossas necessidades sociais e produtivas dos recursos antrópicos (recuperando a matéria prima, nutrientes e energia dos próprios resíduos gerados diariamente). Se estima que no Brasil é gerado 1kg/dia/habitante de resíduos, que por falta de gestões publicas e participação comunitária, aterramos diariamente, jogando fora milhões de reais em recursos vitais e necessários para manter nosso estilo de vida e produtivo.

Piaget define a “inteligencia” como a capacidade de adaptação (assimilação e acomodação) do individuo aos estímulos de seu ambiente. Frente a este conceito, devemos promover novas formas de gestão “inteligentes” focadas a uma gestão sustentável dos recursos que já temos extraído e transformado dos ecossistemas naturais, amontoados e aterrados nos sistemas sociais.

Uma gestão “inteligente” dos recursos (resíduos), alem de permitir a conservação dos ecossistemas naturais e a disponibilidade dos mesmos para as futuras gerações, promove e estimula novos empregos, melhorando a qualidade de vida de muitos brasileiros e criando novas alternativas de mercado. Isto é sustentabilidade. (Veja a nota colocada a continuação)

Marcos Alejandro Badra

Política nacional de resíduos sólidos poderá gerar milhões de novos empregos

Pedro Peduzzi e Stênio Ribeiro
Repórteres da Agência Brasil

Brasília – Milhões de empregos poderão ser criados nos próximos anos com a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Benefícios que podem chegar antes, caso o governo promova os incentivos fiscais e tributários para estimular os investimentos de empresas e cooperativas. A avaliação é do diretor da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP) Walter Capello Júnior.

“Apesar de sempre se mostrar interessado em dar incentivos fiscais e, também, de fazer uma diferenciação tributária para favorecer a utilização de plásticos, metais e outros materiais recicláveis, pouco tem sido feito de concreto, pelo governo, nesse sentido. E isso é fundamental para que o país consiga implantar a Política Nacional de Resíduos Sólidos até 2014, como pretende o governo”, disse Capello à Agência Brasil.
“Só assim os investimentos necessários serão financeiramente interessantes e só depois disso o setor poderá, de fato, agregar valores à economia nacional”, acrescentou. Segundo ele, não há estimulos tributários para o uso de materiais recicláveis.

Com experiência de 36 anos no ramo, Capello tem certeza de que a nova política de resíduos sólidos trará muitos benefícios ao país, ao meio ambiente e aos trabalhadores. “Em primeiro lugar, transformaremos os mais de 1 milhão de catadores que existem no país em agentes ambientais de reciclagem. Mas a grande vantagem virá com a criação de milhões de vagas para uma nova profissão: a de agente ambiental selecionador”, prevê o diretor da ABLP.

Ele explica que, enquanto os agentes de reciclagem têm a função de separar do lixo os materiais recicláveis, diferenciando papéis, metais, plásticos e vidros, o agente selecionador será responsável pela triagem desses materiais por categoria de uso. “São inúmeros tipos de materiais e de utilidades para cada um desses grupos”, afirma ele.

Atualmente, são produzidos por dia, de acordo com a ABLP, cerca de 180 mil toneladas de lixo urbano. Só com a coleta são gastos, em média, R$ 80 por tonelada. Já o custo do aterro é de R$ 70 por tonelada. “Ou seja, são gastos um total de R$ 150 por tonelada [de lixo], no formato atual. Dinheiro que poderia ser economizado se o país entendesse que cidade limpa é cidade que não se suja, adotando a prática de tratar o lixo na origem”, argumenta Capello.

De acordo com o diretor de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Silvano Silvério da Costa, de 30% a 37% do lixo são resíduos secos, que podem ser reutilizados, e 55% são resíduos úmidos, aí incluído o material orgânico. Sobram, portanto, de 8% a 10% de rejeito inaproveitável. “Só o rejeito inaproveitável passará a ser enviado pelo município ao aterro sanitário, o que vai reduzir em muito os lixões Brasil afora”, avalia o diretor do MMA.

Ele lembrou que a lei também obriga o município a se adequar à sistemática da coleta seletiva. As cidades que não adotarem os procedimentos de coleta seletiva até agosto de 2014 deixarão de receber verbas do governo federal.

Essa obrigação aumenta os desafios para os pequenos e médios municípios, que ainda usam lixões a céu aberto por não dispor de recursos financeiros nem capacidade técnica para a gestão adequada dos serviços. Para esses casos, Silvano Silvério lembra que os municípios mais carentes podem se unir em autarquias regionais, com interveniência dos governos estaduais.

O diretor da ABLP, por sua vez, sugerem a formação de consórcios para atuar tanto nas regiões metropolitanas como nos municípios do interior. “Os consórcios são um dos instrumentos mais importantes para se utilizar, com aterros regionais localizados estrategicamente para atender a um número maior de municípios. Mas, para isso, é preciso agregar tecnologias para, por exemplo, gerar energia a partir do lixo e atenuar o custo operacional”.
Edição: Vinicius Doria

Governo tenta cumprir Plano de Resíduos Sólido

O Plano atenderá as exigências da Nova Política Nacional de Resíduos Sólidos do Brasil, Lei 12305/10. Sinceramente, espero que o Plano de Resíduos Sólidos esteja focado para atender a Lei, assim como todos os acordos e metas nacionais e internacionais de sustentabilidade, eliminação da pobreza, qualidade de vida e preservação ambiental e social, com metas claras, indicadores definidos e mecanismos de avaliação e fiscalização de resultados eficientes, para que igualitariamente todos possam assumir seu compromisso e participação na gestão de resíduos sólidos no Brasil.

Marcos Alejandro Badra

Vejam a matéria publicada sobre este assunto pela Agencia Brasil

Governo tenta cumprir Plano de Resíduos Sólido

Três programas serão lançados nas próximas semanas para eliminar lixões e estimular a reciclagemYARA AQUINO/AGÊNCIA BRASIL

O governo vai lançar nas próximas semanas um programa para tratamento de resíduos sólidos baseado em três eixos: Brasil sem Lixão, Recicla Brasil e Pró-Catador. A informação foi repassada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e as ações do programa estão estruturadas no sentido de cumprir as determinações do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, aprovado em 2010.

O primeiro eixo terá ações conjuntas entre estados, municípios e o governo federal e visa a eliminar os lixões de todas as cidades até agosto de 2014. O segundo irá estimular a reciclagem, e o Pró-Catador atuará para estruturar as cooperativas e tornar os catadores um elo importante para o alcance das metas do plano nacional.

O programa está na fase final de elaboração e, de acordo com a Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, os próximos passos são formatar os aspectos jurídicos e discutir o texto com a presidenta Dilma Rousseff.

Ao falar sobre um dos maiores desafios do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que é a eliminação dos lixões até 2014, a ministra lembrou que, a partir do plano, essa passou a ser uma responsabilidade compartilhada entre os entes federados.

“Esse esforço não é só do governo federal, é de competência também dos estados e municípios e dá a todos a responsabilidade de lidar com a questão do fim dos lixões, de incrementar a reciclagem, a logística reversa, de discutir as regiões do país que não têm aterros sanitários”, disse nesta quarta-feira (21) após participar da abertura do encontro Diálogos Sociais Rumo à Rio+20. A ministra observou também que muitas cidades ainda não têm a infraestrutura para implementar o patamar necessário de reciclagem no país.

Na Espanha, em 14 anos, coleta seletiva deu um salto

Ser sustentáveis é um aprendizado, que envolve todos os setores de uma comunidade (ONGs, governos, empresas, produtores e consumidores). A existência de um enquadre legal moderno e fiscalizações reais para o cumprimento da lei por parte de todos os setores é fundamental para a continuidade de boas práticas, assim como gestões de governo modernas e eficientes. A implantação de programas de gerenciamento devem ser adequadamente planejados e participativo nas tomas de decisões para obter um resultado sustenido no logo do tempo. O programa deve contar com projetos de educação ambiental para todos, procurando desenvolver uma consciência e sensibilização no imaginário coletivo de uma comunidade, assim como no comportamento e ações de todos seus indivíduos. Simplesmente transferir informação, não significa que teve educação e aprendizagem. Unicamente quando a comunidade adquire novas estruturas cognitivas e comportamento novos, adaptados para obter os resultados e benefícios desenhado no novo cenário do programa de gerenciamento e o enquadre legal, é que essa comunidade realmente é sustentável e consciente.

Marcos Alejandro Badra

Veja o exemplo da Espanha, que após 14 anos continuam educando

Na Espanha, em 14 anos, coleta seletiva deu um salto
Por Priscila Guilayn (granderio@oglobo.com.br) | Agência O Globo – dom, 18 de mar de 2012

MADRI – Na Espanha, a consciência ecológica evolui com rapidez e as três esferas da administração pública (municipal, regional e central) dão resposta aos esforços dos cidadãos para separar em suas casas as embalagens, os papéis e os vidros: 66% do lixo são reciclados, sendo que a média europeia ronda 50%. Em 1998, com a aprovação da lei de embalagens, este percentual estava em 4,8%. Com a implantação do Plano Nacional de Resíduos Urbanos, dois anos mais tarde, que obrigou a construção de plantas de classificação e compostagem, pulou para 34%. Segundo uma pesquisa recente, em 83% das residências consultadas existe o hábito de reciclar.

– Está bem visto reciclar e mal visto não reciclar. A evolução na Espanha tem sido bem rápida, principalmente se levarmos em conta que a reciclagem aqui é voluntária. Não há multas, como acontece em alguns países, para quem não recicla. Na Espanha se soube transmitir as vantagens da reciclagem. É uma conscientização que começa, por exemplo, com as crianças, nos colégios – conta o engenheiro Paco Colomer, pesquisador do Grupo Ingres (Grupo de Engenharia de Resíduos), da Universidade Jaume I.

Para dar vazão ao esforço cidadão, costuma haver trios de contêineres – um para embalagens, outro para papel e outro para vidro – a cada 250 metros, atendendo uma população de cerca de 500 pessoas. Todo o lixo depositado é levado para as unidades de classificação e, de lá, encaminhados para reciclagem. O lixo que a população não seleciona também é classificado nas unidades de compostagem e cerca de 50% conseguem ser reciclados. Uma parte do que é descartado vira fertilizante agrícola (no caso dos resíduos biodegradáveis) e a outra é acumulada como lixo ou é incinerada.
Este trabalho é responsabilidade dos ‘sistemas integrados de gerenciamento’ (SIG) de resíduos, empresas sem fim lucrativo custeadas pelas taxas que os fabricantes de embalagens e as companhias que usam estas embalagens em seus produtos pagam, financiando assim – além de uma verba municipal – a coleta, a classificação e a reciclagem: as embalagens que têm o símbolo de um círculo com duas setas são de empresas que pagam a taxa. Aos SIG estão associadas dezenas de empresas recicladoras (seleção e transformação dos resíduos previamente classificados): cerca de 300 de papel, 250 de plástico, 200 de metal e 30 de vidro. Desta maneira, organismos públicos e privados trabalham juntos para minimizar a utilização de fontes naturais, muitas vezes não renováveis. O governo central, através do Ministério de Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente, coordena os SIG; os governos regionais (na Espanha há 17 comunidades autônomas) fazem os planos de gerenciamento de resíduos; e as prefeituras recolhem o lixo. Há 18 sistemas integrados de gerenciamento: embalagens; vidros; remédios; pilhas e baterias; aparelhos elétricos e eletrônicos; aparelhos de iluminação; óleo (industrial e de cozinha); pneus etc.

O que mais se recicla é o papel (84%), seguido do metal (71%), do vidro (55%) e do plástico (45%). Na Espanha, o contêiner de ‘embalagens’ contempla todas que sejam de plástico, lata e tetra pak. Em 2011 a reciclagem atingiu mais de 1,2 milhão de toneladas de embalagens, ou seja, mais de duas em cada três embalagens consumidas.
Com a crise econômica, aumentou muito o número de catadores (na Espanha são chamados de ‘rebuscadores’), principalmente de metais, que é o mais rentável – conta Paco Colomer.

Embora haja boa vontade por parte dos espanhóis, a reciclagem é um aprendizado: nos contêineres de plático costumam ser encontrados 20% de resíduos classificados de maneira errada; 5% nos de vidro, e 10% nos de papel.

Ineficientes, usinas de reciclagem de lixo desperdiçam milhões

A  falta de uma adequada gestão, conhecimento técnico inter-disciplinário e experiencia no gerenciamento de resíduos são os fatores que trazem resultados indesejados e de alto impacto para os governos locais e as comunidades, afetando a qualidade de vida e o bem estar das mesmas.

A noticia publicada no sábado 17 de março por Rogério Daflon é uma clara evidencia da necessidade de modernização e atualização do corpo técnico e dos métodos usados pela administração pública brasileira, para poder gerenciar usinas de reciclagem (ou valorização) de resíduos de forma eficaz e eficientemente, igualando resultados de processos semelhantes em países como Japão, Coreia do Sul ou Alemanha. Veja a nota a continuação.

Marcos Alejandro Badra  

Ineficientes, usinas de reciclagem de lixo desperdiçam milhões

Por Rogério Daflon (daflon@oglobo.com.br) | Agência O Globo – sáb, 17 de mar de 2012

RIO – Mesmo se toda a população do Rio participasse da cruzada pela reciclagem, a Comlurb não estaria estruturada para tanta demanda. Das três usinas de separação de lixo, que custaram aos cofres públicos R$ 79 milhões, uma foi desativada, outra funciona com um terço de sua capacidade e a terceira opera precariamente.

Inaugurada durante a Rio-92, com pompa e circunstância, a usina de triagem do Caju sempre foi uma dor de cabeça para os gestores ambientais da prefeitura. Segundo a atual administração da Comlurb, o Rio comprou gato por lebre: a tecnologia francesa já estava defasada.

Usina do Caju, uma constante dor de cabeça

A usina do Caju teria dupla função: a de compostagem (processo de transformação da matéria orgânica em fertilizante) e a de separação do material reciclável, para ser devolvido ao setor produtivo. Mas não foi o que aconteceu. – Compraram em 1992 (no governo do prefeito Marcello Alencar) uma tecnologia totalmente ultrapassada. A usina então não fez nem a compostagem nem a reciclagem da maneira adequada. Tanto que, dois anos depois, fechou as portas. Em 2000, por força de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) exigido pelo Ministério Público estadual, a usina voltou a funcionar. Só que ela tem capacidade de processar mil toneladas por dia, metade para o orgânico e a outra metade para o reciclável. Hoje processa em torno de 300 toneladas, sendo apenas 10% de material reciclável. Na verdade, a usina não tem uma manutenção constante – diz o gerente da usina do Caju, José Emídio de Araújo Neto, acrescentando que a Comlurb já negocia para que a iniciativa privada assuma a unidade.

Secretário municipal de Obras na gestão de Marcello Alencar entre 1989 e 1992, o atual deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) argumenta que o problema não foi a tecnologia ultrapassada das usinas: – A tecnologia era francesa e considerada de ponta. O problema foi falta de manutenção ao longo do tempo. Ajustes teriam de ter sido feitos. A falta de cuidados técnicos indispensáveis à operação da usina do Caju é facilmente observável. Apenas uma das duas unidades de separação funciona. E o lixo domiciliar orgânico é jogado no mesmo fosso do reciclado, não havendo divisão entre eles. – É claro que seria melhor se houvesse um fosso só para lixo reciclável – disse um funcionário, sem se identificar. A 31 quilômetros do Caju, a Usina de Jacarepaguá, inaugurada em 1993, mantém galpões vazios, onde deveria haver a separação do lixo. A estrutura chama a atenção pela grandiosidade, em contraste com a falta de atividade. De acordo com a presidente da Comlurb, Angela Fonti, com o surgimento de condomínios de classe média alta no entorno da usina – localizada numa área residencial – houve muitos protestos contra a presença das instalações, levando a empresa a desativá-las. Na usina de Irajá, em operação desde 1977, sequer há esteiras para a separação do lixo. Nesse quadro, o percentual de 0,27% de reciclagem parece até muito.

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