joel open house 2013-12“Rodrigo tinha notado que sua esposa, Natália, cada vez que assava um peru cortava a pata direita do mesmo antes de colocar a forma no forno. Rodrigo viu este procedimento ser realizado várias vezes pela esposa sem conseguir descobrir o motivo, então decidiu perguntar-lhe:

– Nati, percebi que cada vez que prepara um peru, antes de colocá-lo no forno, você corta a perna direita do mesmo. Tentei descobrir por que você faz isso, porem não consigo imaginar o motivo – disse Rodrigo amorosamente.

– Ahhh… simples, amor – disse Natalia pronta para explicar o segredo – cortar a pata direita do peru antes de coloca-lo no forno é forma correta de se assar um peru. Se eu deixar a pata direita, o peru não ficará corretamente assado – ela falou com ar de grandeza.

– Não faz o mínimo sentido isso Natália – afirmou Rodrigo confuso.

– Claro que sim Rodrigo! Essa é forma correta de assar o peru. Minha mãe sempre fez assim e ela é conhecida pelo sabor fantástico do seu peru assado! – diz Natália ofuscada. 

– Quer dizer que você aprendeu isso da sua mãe? Então, se ela assa assim o peru deve haver um porquê.. Vamos conversar com ela e descobrir… – ponderou aliviado.

Após alguns dias, Rodrigo se encontrou no almoço de família com a sogra, com a qual tinha um ótimo relacionamento e aproveitou para satisfazer sua curiosidades sobre por que Natália e ela cortavam a pata direita do peru para poder colocá-lo no forno.

– Sogrinha, posso lhe fazer uma pergunta? – comentou com sua habitual confiança e respeito pela sogra.

– Claro Rodrigo, se puder ajudar… – ela respondeu em quanto servia a sobremesa.

– Observei que Natália, antes de colocar o peru no forno sempre corta a pata direita do bicho. Sem querer criticar esse procedimento, porém curioso do porquê, perguntei-lhe o motivo, e ela me respondeu que essa é a forma correta de se assar um peru, e que é desse jeito que a senhora ensinou. Estou muito curioso sobre o assunto… gostaria realmente de saber, por que a senhora corta a pata direita do peru antes dele ser colocado no forno?

– Ahhh rapaz… – disse a sogra – a resposta é porque assim o peru tem melhor sabor quando assado no forno. Caso contrário, ele não ficaria tão macio, se eu deixasse a pata direita. Além do mais, quem entende de peru sabe que tem que cortar a pata direita – respondeu a sogra, mas sem aprofundar na resposta.

Rodrigo novamente frustrado por outra resposta sem lógica, não ocultou seus sentimentos e proferiu: – sem animo de ofendê-la sogrinha, sua resposta é tão sem sentido como a da Natália. Onde a senhora aprendeu a assar peru desse jeito?

– Eu aprendi observando a minha mãe desde bem pequena. Ela sempre cortava a pata direita do peru antes de coloca-lo no forno. E você sabe que ela é a melhor cozinheira de perus – ela concluiu olhando direto nos olhos do genro.

– Sendo assim, vou falar com a vovó amanhã mesmo! – falou Rodrigo animado.

No dia seguinte Rodrigo dirigiu até a casa da vovó de Natália, esperançoso de encontrar a resposta ao enigma.
Ao chegar foi recebido pela vovó com a costumeira simplicidade e alegria, pão de queijo recém tirado do forno e café fresquinho. Em quanto desfrutavam do lanchinho ao mais puro estilo da vovó, Rodrigo perguntou:

– Vovó, sabe que há um tempo chamou minha atenção o fato de que Natália corta a perna direita do peru antes de colocado no forno. Quando perguntei a ela o porquê, ela me respondeu que essa era a forma de se assar um peru e foi dessa maneira que ela aprendeu da mãe. Como a resposta de Natália não fez muito sentido para mim, fui falar com minha sogra para descobrir o real motivo, porém sua filha também não soube me explicar o porquê. Ela me disse que qualquer um que saiba assar um peru sabe que deve retirar a pata direita. Quando perguntei onde ela tinha aprendido isso, ela me contou que foi observando a senhora, vovó! Por isso, queria lhe perguntar, por que a senhora corta a pata direita do peru antes de colocá-lo no forno.

A vovó não conseguiu segurar uma gargalhada antes de responder a questão do Rodrigo.

– Que confusão rapaz! Que confusão tão engraçada!– dizia a vovó em quanto ria.

Após uns instantes ela falou – Rodrigo, meu filho, quando eu era recém-casada, eu e o vovô não tínhamos muito dinheiro e o forno que compramos era tão pequeno que o peru não entrava completo e para poder assá-lo eu precisava cortar a pata direita para que ele entrasse no forno…que confusão… – repetia a vovó em quanto ria da situação.

Rodrigo, ficou pasmo por um instante, sem reação. Porém depois de alguns minutos foi contagiado pelas risadas da vovó e também achou aquela historia muito engraçada e começou a rir com ela. Tudo dependia do tamanho do forno!” (História adapta por Marcos A. Badra).

O desafio a paradigmas torna-se necessário para descobrir novas soluções para problemas antigos. Sem uma renovação da forma de pensar, não poderemos transitar o caminho da sustentabilidade tão almejada por todos. Para poder conseguir reais mudanças e novos resultados devemos desafiar nossos modelos referenciais e padrões culturais, caso contrário, tendemos a fazer mais do mesmo obtendo os mesmo resultados e seus impactos.

A sustentabilidade não é assunto de moda que deve ser incorporado em conversas descontraídas ou em infrutíferas reuniões corporativas, tentando adequar os seus princípios às clássicas estruturas e aos velhos padrões de desenvolvimento, não há compatibilidade entre eles.

A sustentabilidade se apresenta como um novo estilo de pensamento e comportamento, que, como um paradigma centrado em valores, respeito e ética, se presenta para orientar as decisões dentro das empresas e organizações, satisfazendo as expectativas de todos os seus stakeholders garantido a supervivência em tempo de turbulentas mudanças econômicas, sociais e ambientais.

Como consultor, é comum encontrar organizações e empresas que investem um grande esforço na área de sustentabilidade e meio ambiente, porém sem tomar a real decisão de desafiar os paradigmas e referenciais esgotados que há anos vem se usando. Assim, o resultado não é proporcional ao esforço e recursos investidos, levando muitas vezes à frustação do lideres.

Em 2005, convidado ao Workshop sobre Recursos Hídricos e Gênero, organizado pela Universidad Blas Pascal, Córdoba – Argentina, o diretor da UNESCO-IHE, chamado para abrir o evento, disse que “a imaginação e a criatividade serão as ferramentas mais necessárias e usadas em todos os âmbitos das atividades humanas para a sustentabilidade”. Não existe sustentabilidade sem imaginação, criatividade e inovação. Não podemos usar as mesmas ferramentas que nos levaram às crises sociais e ambientais locais, regionais e globais para obter novos resultados e as soluções urgentes demandadas a nível global. Não serão os modelos antigos que nos permitirão preservar o meio ambiente, trazer igualdade, obter qualidade de vida e bem estar, para esta geração e as futuras gerações. Para atender as metas globais traçadas para o setor privado e publico, devemos imaginar um novo mundo, uma realidade diferente, de forma inovadora e criativa, nos atrevendo a desenhar novas realidades organizacionais e produtivas, onde além da sustentabilidade econômica e financeira, se priorize o uso racional dos recursos naturais, a valorização de resíduos, o consumo racional da água, a inclusão social, a igualdade de gênero, preservação da diversidade cultural, permitindo o desenvolvimento de novos lideres com a coragem de liderar a mudança. A turbulência do mundo faz com que levar em conta esses fatores seja mais do que uma responsabilidade empresarial. É uma necessidade de supervivência empresarial (Werbach, 2010).

O Professor Alberto Ferral, consultor de Nações Unidas, explicou uma vez aos seus alunos do Bacharelado em Gestão Ambiental que “vocês fazendo este curso com o objetivo de ser lideres, porém um novo modelo de líder, um líder multidisciplinar, holístico, que consegue enxergar a realidade como um todo e não fracionada”. Na sua palestra ele completou a ideia dizendo que “o mundo está cheio de velhas ideias, porém vocês vão permear os diferentes setores da sociedade como profissionais da sustentabilidade com a capacidade de criar novas ideias, novos modelos, com a capacidade de poder questionar as velhas formas de fazer as coisas, desafiá-las e transformá-las em novos paradigmas, fundados na ética e em novos valores, onde a riqueza não se mede só em recursos financeiros e sim contribuindo com o desenvolvimento humano e a preservação do meio ambiente”. Adam Werbach diz “tanto os recursos naturais quanto os humanos são abundantes, mas limitados”.

No começo de 2007 fui convidado por uma velha amiga para ministrar um workshop em Córdoba sobre o “Uso da Imaginação na Gestão de Negócios” destinado para 250 lideres e empresários. Ao final de minha palestra no workshop, um empresário do setor de petróleo e gás, me disse: “sinto-me desafiado a mudar minha maneira de pensar, porem não em alguns aspectos e sim na base, para poder transformar a realidade do setor. Os novos desafios não podem ser superados com modelos velhos e esgotados e isto é urgente, porque o futuro é hoje”.

Existe uma enorme resistência para a mudança de paradigmas em muito setores da sociedade a nível mundial, porem a transformação de nossos modelos é um assunto urgente e inevitável, que dará para aqueles que de forma corajosa investem nisso uma posição de reconhecimento em toda a sociedade e garantirá o sucesso de seus negócios, fidelizando seus clientes e colaboradores.

O futuro é hoje e temos a urgente necessidade de renovar a forma de pensar, para que renovemos a forma de atuar, por esse motivo, temos a urgência de poder fazer mais e falar menos. Chegaremos a descobrir que o peru com suas duas patas pode ser bem mais saboroso do que pensamos.

Marcos Alejandro Badra

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